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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Motivo - Cecília Meireles


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Poesia: Tubercu-LOSE



Trague o cigarro
Trouxe a dança,
A ultima.
Veja a fumaça,
Sinta a brisa
Através da nevoa embaçada da ultima dança.
Guarde pra mim.
O cigarro?
Não, a dança que trouxe.

Bring me the cigarettes
Smoke.
Twice.
Feel your pain.
Feel your smoke.
Feel the last dance.
Save the last dance.
Feel me in your blank space.
Full your heart with our smoke.

E a guimba foi o que restou.
Com o gosto de sua boca
De sua fumaça,
Da dança
E do sentir que você não guardou.
Eu guardei a fumaça no peito.

E as cinzas me foram jogadas ao relento.
Junto com o sentir que embaçou
Me embrulhou o estomago.

Tuberculose,
Nós somos.
Nós fomos.


Just tubercu-lose.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Sim!

É tempo de fazer errado?
Sim, errar.
Errar em ti,
Errar o que é para errar, assim como o que é para acertar
Mas, afinal, o que é o acerto?

Livre para sentir, sem-ti?
Não quero um marasmo de sentimento
Quero sentir, sentir, sentir e sentir!
Mesmo que doa.
Cansei de negar,
De puramente fechar os olhos d’alma.

Sinto o hoje como se viver fosse sofrer por antecipação
Gosto da dor?
Não, gosto da esperança causada pelo sentimento,
Gosto dos momentos em que penso no reflexo das estrelas em olhos castanhos,
Gosto de sentir, contigo
Sem-tigo,
Comigo.

Puramente sentir. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Luzes Acesas

Esqueço de mim
Só vejo o meio
O mundo por completo
Observo-o
Cada detalhe.

Sei de ti,
Dele,
Delas,
Menos de mim.

Esquecer do ser
Esquecer da famosa pergunta:
“Ser ou não ser?”
No meu caso:
“Observar ou não observar?”

Importo-me mais com o mundo do que com a minha essência
Perco-me em meio aos olhos,
Aos meus próprios olhos
Que enxergam almas,
Só não enxergam a minha.

Tenho o espírito do medo,
Medo de mim
De algo dentro de mim
Algo que talvez,
Na verdade certeza,
Não quero observar.

Só quero o mundo,
Só quero os olhos do mundo.
Pessoas e olhos que refletem a imagem de apartamentos com luzes acesas
Pensar nos apartamentos como algo a mais,
Algo além de mim.

Melhor suas luzes do que minha alma,
Observar e imaginar o que ali ocorre
É melhor do que ver o que ocorre em mim.

Concreto ou não
Sei que sou torto
De uma forma boa (?)
Talvez errado de uma forma retilínea
Ou apenas uma bagunça em poesia.

Parar para me ver é, claro, menos interessante do que ver o mundo,
Do mundo quero tudo
De mim quero apenas os olhos.

domingo, 21 de abril de 2013

Poema: Enigma

Hoje olho no espelho e não vejo mais a face que vi ontem
Vejo apenas alguém perdido,
perdido em medos e dúvidas.
Tento a cada dia, de alguma forma, decifrar o enigma que rodeia este rosto.
Um enigma que me parece cada vez mais indecifrável.

Não consigo entender este rosto,
estes olhos,
esta boca.
O que esta expressão significa?
Quanto mais olho, mais me sinto perdido!

F. G. Silva

segunda-feira, 11 de março de 2013

Poema: Loucura


Não sei definir loucura
não sei dizer se sou louco
como dizia Sócrates
Só sei que nada sei
O Jeito é viver para descobrir

Enquanto a chuva cai lá fora
eu caio no abismo da solidão
Junto com meus loucos devaneios
não sei se são realmente loucos
na verdade eu não sei de nada

Coragem?
Talvez seja o que realmente me falta para encarar a verdade
a verdade de que sou louco

talvez ser louco seja bom
talvez,
Mas a verdade é que todos temos a loucura dentro de si
Porém não importa
Porque nada sabemos.